


Visto exteriormente, o mosteiro oferece massa de volumes assimétricos e atarracados com certo interesse e imponência, cortado na linha de horizonte salpicado de azinheiras e oliveiras, embora a linha original do goticismo quatrocentista fosse totalmente obliterado. Robustos gigantes de andares coroados de bolas ornamentais protegem a imensa nave, que sofreu a primeira importante alteração no ano de 1566 e a última, de verdade a mais grave, dos fins de setecentos a 1801, período de sacrifício dos restos medievais do templo primitivo. Pitoresca torre campanário, de andares, pouco comum em edifícios claustrais, rompe da empena do lado norte e foi construída ou beneficiada em 1669, como se conclui da existência da lápida de mármore branco e inscrição latina, aposta numa face. Dois velhos sinos de bronze fundido se dependuram nos olhais: datado e legendado de 1752 o de Nossa Senhora do Espinheiro, e o outro, de cruz e cartela anepígrafa, em baixo-relevo.
Todavia, são vestígios da fase inicial do mosteiro, uma estreita escada helicoidal que comunica com o terraço, os dois absidíolos do cruzeiro, levantados em planta poligonal, com esbeltas frestas góticas, de pedra, hoje obstruídas, e friso exterior de secção trilobada, de tijolo, na cornija, de tipo e época dos da igreja de S. João Evangelista (Lóios), que teve seus fundamentos no ano de 1485. Encontram-se ambos recobertos de alvenaria e estuques no corpo interno e compreendem as capelas dos Reis e da Ressurreição. Ligeiramente posterior e do tempo dos reis D. Manuel e D. João III, é a vasta cisterna, de planta rectangular com três naves de cinco tramos divididos por pilastras góticas de meias colunas de bases poligonais, arcos chanfrados e capitéis curvilíneos, rudes, em obra robusta e seca de alvenaria, com os panos fundeiros apoiados em colunas de grossas nervuras de aresta viva. As chaves da abóbada são de granito, circulares, ornatadas e os ábacos curvilíneos, de tijolo.
Dim.: comp. 15,35 m; larg. 9,00 m; larg. da nave central, 2,48 m; larg. das colaterais, 2,35 m; alt. 4,20 m. O alçado externo, que deita para o laranjal, está fortemente escorado por seis contrafortes de andares, de granito aparelhado. Mesmo ao lado e apoiada no extradorso do presbitério, existe a capelinha de Nossa Senhora do Espinheiro, venerável relíquia de arquitectura religiosa que consagra, na tradição, o local autêntico de aparecimento da Virgem. De proporções minúsculas, construída de alvenaria, é de planta quadrangular e do tipo clássico, tendo portado apilastrado com remates de urnas e frontão de volutas. A cobertura, hemisférica, sobrepujada por lanternim de seis luzes, é suportada por quatro trompas ornadas de vieiras. Obra seguramente dos meados do séc. XVI, encontra-se ao presente profanada e em franca ruína.
A actual entrada para o extinto convento faz-se pela porta do carro, aberta em amplo alpendre de túnel de alvenaria, com batentes de madeira almofadada e a data de 1782. Ao lado direito do pátio fica o corpo nobre do edifício, de empena alterosa e fortemente recortada com volutas de enrolamento, onde se abre opulenta janela de sacada de vergas e ombreiras de mármore branco do estilo rocócó, completada com delicada grade de ferro forjado, coetânea. Dela toma-se magnífico panorama para o Alto de S. Bento e quintas envolventes coroadas pelas copas do cerrado e verdejante arvoredo, que compreende o aro produtivo da melhor zona agrícola e frutífera da região.
Passos andados, contra vulgar portado da cerca, aplicaram-se duas mísulas encordoadas e uma empresa manuelina da esfera armilar, provenientes de desaparecida cobertura ogival.
O amplo terreiro anexo conserva, ainda, vestígios de obras de arquitectura antiga, quinhentista: modilhões do alpendre da cozinha; profanado oratório de galeria obstruída, com cinco tramos de arcos redondos; dois bancos de mármore ornatados com bases de toros nodosos, entrançados, e outras pequenas dependências conventuais aproveitadas para diversos fins.
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