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Se Catedral de Evora

History

As fontes tradicionais atribuem os fundamentos do edifício ao bispo D. Paio, em 1186, e a sua primeira consagração ao prelado sucessor, D. Soeiro, no ano de 1204. A primeira pedra foi lançada no altar de S. Manços, no dia 21 de Maio daquele ano, com licença do rei D. Sancho I.

 

Todavia, dessa fase, que seria inicialmente uma reconstituição da mesquita árabe, tudo desapareceu com a construção da actual Sé que, segundo os últimos estudos críticos e arqueológicos, se deve atribuir ao espírito culto e empreendedor do bispo D. Durando Pais, conselheiro de D. Afonso III (1267-1283) o qual, seguramente, benzeu a antiga abside gótica, como o revela a letra da lápide, de 2 de Abril de 1283, hoje colocada na capela do Santíssimo Sacramento (S.S.), que reza:

 

 

“edificou e enriqueceu por meio de esmolas esta Sé”.

 

 

Os trabalhos prosseguiram morosamente nos reinados imediatos, pela insuficiência de verbas aplicáveis na grandiosa obra que excedia, segundo os planos originais o modelo da Catedral de Lisboa, verificando-se no reinado de D. Afonso IV (1325-57) o acabamento do braço sul do transepto, a sacristia velha, o claustro e a encomenda de escultura do pórtico.

 

 

Um único arquitecto medieval se conhece - Martim Domingues - e, no séc. XVI, os documentos assinalam trabalhos feitos mas não exemplificados, aos mestres de pedraria eborenses Miguel de Arruda (c.ª 1540), Manuel Pires, Brás Godinho, Mateus Neto e Jerónimo de Torres.

 

 

Alguns episódios notáveis ou figuras eminentes da História e da Cultura estão intimamente ligados ao venerável monumento: benção dos guiões dos exércitos de D. Afonso IV em 1340, que se cobriram de glória na Batalha do Salado; combate dos Atoleiros em 1385, com D. Nuno Álvares Pereira, e na Batalha de Toro, com D. Afonso V e o príncipe D. João; ecos dos tumultos de Janeiro de 1384, porque os patriotas, dos terraços da Catedral frecharam os defensores do castelo e provocaram o seu incêndio, na nave foi perseguida e depois morta a abadessa de S. Bento de Cástris, Joana Peres, familiar da rainha D. Leonor Teles e protegida pelo arcebispo D. Fr. Manuel do Cenáculo; por último, a tragédia de Julho de 1808, aquando das invasões Francesas comandadas por Loison.

Quase todos os monarcas portugueses oraram na Catedral, no púlpito se fizeram ouvir, entre outras, as vozes de homens sábios e ilustres: D. Domingos Anes Jardo, um dos doutores da fundação da Universidade de Coimbra, D. Álvaro da Costa, Cardeal de Alpedrinha, D. Garcia de Meneses, D. Afonso de Portugal, Jean Petit, André de Resende, D. Jerónimo de Azambuja, S. Francisco de Borja, Jerónimo Osório, os cardeais-infantes D. Afonso e D. Henrique, filhos de D. Manuel, Luís António Verney, D. Fr. Manuel do Cenáculo, D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, Luis Alvares, D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, D, Augusto Eduardo Nunes e D. Manuel Mendes da Conceição Santos.

 

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